sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A água subiu o último degrau da porta e invadiu a sala.
Encharcou as cortinas, lambeu os pés da mesa, esgueirou-se pelo corredor, bateu na parede,apagou todas as brasas.
Entrou pela fresta do baú desmanchando as cartas, deformando as letras, desarrumando as palavras.
Cores de papel machê, vasos de flores mortas, ferro e faca, amontoados de nada, vida jogada fora.
Bolhas de sabão, vidros quebrados, um cão já sem dono no abismo gelado.
A menina com pés de bailarina brincou e na urgência da vida chorou, molhada.
Choveu nuvens.
Choveu dores.
E choveu um mundo todo.
E diante da deselegância da chuva e em solidariedade ao que já não mais havia, os sapos em cortejo militar, respiraram toda a água que puderem e morreram afogados.

Lou Witt

5 comentários:

  1. Que lindo esse texto!
    Apesar da desolação foi magistral o contorno poético das palavras
    Um ótimo domingo
    Beijos

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  2. Olá, Lou! Amo suas poesias, falam sempre o que estou sentindo no momento, são perfeitas, você é incrível, de uma sensibilidade extrema. Parabéns! Você me permitiria, usá-las em minhas montagens para postar em meu blog?
    Beijos!

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  3. Muito bom este texto.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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  4. Olá Boa tarde! Navegando, cheguei até seu maravilhoso cantinho, amei suas postagens e já estou seguindo, tenho três blogues, seguindo com este perfil. Lhe convido a conhecer os meus, se gostar seguir, ficarei grata. Abraços, fica na paz de Deus e tenha uma abençoada semana. Abraços

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pétalas